AUMENTO DA JORNADA

Bancos anunciam horário estendido para renegociação com clientes

Responsáveis pela cobrança de taxas de juros mais altas do mundo, bancos jogam nas costas dos clientes culpa pelo endividamento Responsáveis pela cobrança de taxas de juros mais altas do mundo, bancos jogam nas costas dos clientes culpa pelo endividamento
segunda-feira, 25/11/2019

Os grandes bancos brasileiros anunciaram que, entre os dias 2 e 6 de dezembro, parte das agências terão o horário estendido até às 20 horas para renegociações de dívidas e educação financeira. A ação faz parte de um acordo firmado entre o Banco Central e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Aderiram à iniciativa, que envolverá 261 agências em todo o País, Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander.

“Uma operação como essa envolve diversos fatores como estrutura, condições de trabalho, segurança e, principalmente, o correto pagamento de direitos dos bancários e bancárias envolvidos. É preciso que cada um destes pontos seja objeto de esclarecimento e negociação com as entidades representativas da categoria”, enfatiza a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro.

“Lembramos que os ataques à categoria bancária presentes na MP (Medida Provisória) 905, assinada por Jair Bolsonaro em 11 de novembro – como o aumento da jornada para 8 horas e a permissão para trabalho aos sábados, domingos e feriados - são temas de negociação. Cobramos que os bancos respeitem o processo negocial, construído ao longo de décadas, e não se aproveitem dessa MP para não pagar as devidas horas-extras aos bancários envolvidos nessa operação de renegociação de dívidas. Temos uma Convenção Coletiva de Trabalho em plena validade, assinada pelos bancos, que deve ser respeitada”, alerta Neiva.

Para a diretora do Sindicato de São Paulo, se os bancos realmente desejam melhorar a educação financeira da população, deveriam começar por abrir mão da cobrança de taxas abusivas, juros extorsivos e do absurdo spread bancário.

“É fácil falar em educação financeira colocando toda a responsabilidade nas costas dos clientes. Difícil é explicar que, somente este ano, apenas quatro bancos [Itaú, Santander, Bradesco e BB], já cobraram R$ 24,2 bilhões em tarifas dos clientes, crescimento de 7,1% em relação ao ano passado, enquanto a inflação [INPC] variou 2,89% no mesmo período. Difícil é explicar que os juros no cheque especial ultrapassam os 300% ao ano. Mais difícil ainda é explicar que o spread bancário no Brasil siga como um dos maiores do mundo. Também seria importante que os bancos apresentassem seus motivos para fecharem diversas agências nas periferias e municípios menores, onde a população mais precisa”, critica Neiva.

“Se a intenção realmente é melhorar a educação financeira do brasileiro, deveríamos começar pelos bancos brasileiros, que poderiam dar o exemplo exercendo a responsabilidade social que deveriam ter enquanto concessões públicas que são”, conclui.

Fonte: Spbancários

COMPARTILHE