MP 905

Negociações avançam e bancários não trabalharão aos sábados

A negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban durou mais de 10 horas nesta terça-feira (26/11), em São Paulo - Foto: Jailton Garcia A negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban durou mais de 10 horas nesta terça-feira (26/11), em São Paulo - Foto: Jailton Garcia
terça-feira, 26/11/2019

O Comando Nacional dos Bancários e A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) negociaram por quase 10 horas nesta terça-feira (26/11) a proposta que neutraliza os efeitos da MP (Medida Provisória) 905 sobre os direitos da categoria. O Comando garantiu a manutenção do trabalho de segunda a sexta-feira, o não aumento da jornada e a participação do movimento sindical na definição da PLR. 

O trabalho aos sábados somente será permitido se houver negociação com o movimento sindical, como é hoje.

O Comando apresentou uma proposta de Aditivo à CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) que garanta os direitos, a jornada e impede a redução salarial da categoria. Os bancos propuseram a manutenção do que diz a MP, contrariando o que está previsto na CCT. Os dirigentes sindicais, por sua vez, deixaram claro que não poderia fazer um acordo deste, pois seria reabrir as negociações de termos já negociados e definidos em Acordo.

“A Fenaban insistia em alterações que reduziam direitos e alteravam o que tínhamos definido em nossa CCT. Aceitar estas alterações seria o mesmo que aceitar a implantação da MP. Isso não seria possível”, ressaltou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, também coordenadora do Comando Nacional.

A negociação se prolongou durante todo o dia e houve várias pausas para que as partes discutissem entre si as propostas e contrapropostas que eram apresentadas.

“Aceitar as mudanças seria desconsiderar o valor de nossa mesa de negociações. Negociamos uma Convenção Coletiva e os bancos vão no governo e pedem uma medida provisória? Deve haver respeito à mesa de negociação por ambos os lados”, disse Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e uma das coordenadoras do Comando. “O que queremos é manter o que firmamos em nossa Convenção Coletiva de dois anos”, completou.

Suspensão dos efeitos da MP

Ao final do dia, as negociações sobre o texto do Aditivo avançaram bastante, garantindo a jornada, a negociação da PLR apenas pelos Sindicatos, mas dado o avanço da hora as negociações continuarão nos próximos dias, restando alguns detalhes sobre a vigência. Até que o Aditivo seja assinado, os efeitos da MP continuam suspensos.

"Tudo isso só foi possível por conta da unidade da categoria. Fizemos toda uma mobilização, e os trabalhadores atenderam ao chamado de imediato. Episódios como estes ressaltam a importância do Sindicato. A organização dos trabalhadores que está sob constante ataque deste governo justamente por conta de nossa capacidade de barrar retrocessos", afirmou Ivone

"Apesar de a categoria bancária estar conseguindo barrar os efeitos desta MP, a nossa luta continua até sua derrubada, pois há outros pontos, como a taxação do Seguro-desemprego, que podem porventura afetar a vida dos trabalhadores bancários", completou.

Fonte: Contraf-CUT/Spbancarios

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