SÓCIOS DA CRISE

Caged revela: bancos criaram apenas seis postos de trabalho em 2018

Imagem Tumisu/Pixabay Imagem Tumisu/Pixabay
quinta-feira, 07/03/2019

O setor bancário, o mais lucrativo da economia brasileira, criou seis (isso mesmo, seis) postos de trabalho em janeiro de 2018, segundo revelaram dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), compilados pelo Ministério da Economia.

Juntos, em 2018, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander lucraram R$ 73,2 bilhões, montante que representa aumento de 12,8% em relação a 2017, quando eles lucraram R$ 65 bilhões. A Caixa, que completa o grupo dos cinco maiores bancos do país, ainda não divulgou seu resultado do ano passado.  

Além da geração pífia de postos de trabalho, os bancos seguem lucrando com a rotatividade – demissão de bancários que ganham mais e contratação de funcionários com salários mais baixos.

Em janeiro, o salário médio dos demitidos equivalia a R$ 6.318,00, enquanto a remuneração média dos admitidos corresponde a R$ 4.938,00. Isso significa que os novos funcionários foram contratados ganhando 22% menos do que os demitidos.

Desigualdade de gênero persiste

Os dados do Caged mostram, ainda, que a desigualdade também persiste e aumentou. Em janeiro, as bancárias contratadas ganharam, em média, R$ 4.428,00, o que representa 17% menos do que os homens admitidos (R$ 5.347,00). As demitidas ganhavam, em média, R$ 5.560,00, valor 21% menor do que recebiam as dispensadas (R$ 7.038,00).

Na última Campanha Nacional Unificada da categoria bancária, no ano passado, foi conquistada a realização de um novo Censo da Diversidade, que deve iniciar este ano. O Censo é uma ferramenta importante no combate às desigualdades de gênero e raça no setor bancário e para a promoção de políticas de igualdade de oportunidades para mulheres, PCDs (pessoas com deficiência) e negros. 

Sobrecarga aumenta

A eliminação de postos de trabalho é ainda mais injustificável se a relação clientes por empregado for considerada. Em dezembro de 2017, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander tinham, em média, 820 clientes por empregado. Um ano depois, essa relação aumentou 3,3%, elevando para 847 clientes por empregado. Os dados são das demonstrações contábeis das instituições.

Fonte: Spbancarios

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