Painel discute agiotagem praticada pelos bancos no Brasil

Durante o painel foram levantadas informações sobre a política de concentração de renda e a falta de investimentos dos bancos no desenvolvimento do País Durante o painel foram levantadas informações sobre a política de concentração de renda e a falta de investimentos dos bancos no desenvolvimento do País
sexta-feira, 16/03/2018

Na programação do Fórum Social Mundial de quinta-feira (15/03), no Campus da UFBA de Ondina, em Salvador, foi realizado o painel A Era do Capital Improdutivo: o FSM e a ampliação das resistências.

A tenda da CUT, Margarida Alves, ficou lotada. Como não podia deixar de ser, antes de começar a análise, os participantes fizeram um minuto de silêncio pelo assassinato brutal da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), na noite de quarta-feira (14/03).

O professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Ladislau Dowbor, autor do livro A era do capital, fez uma análise sobre os entraves causados pelo mercado financeiro. Segundo ele, o que define o cenário econômico e social da maior parte do mundo hoje é a apropriação dos recursos financeiros por parte das grandes corporações, que os utilizam para especular, ao invés de investir de forma produtiva.

O Brasil, destaca Dowbor, entrou em um sistema de agiotagem que paralisa a economia nacional. Na França, por exemplo, a taxa de juros do empréstimo é de 12,3% ao ano, enquanto no Brasil passa dos 156% ao ano.

“Isso é um escândalo”, ressalta. Por isso, hoje mais de 61 milhões de adultos estão com o nome negativado, reduzindo bruscamente o motor da economia - o consumo. As empresas, por sua vez, baixam a produção e demitem em massa. Foi assim que a taxa de desemprego, que estava em 4,6% nos governos Lula e Dilma passou para quase 13% no ano passado.

A (ir)responsabilidade social dos bancos

A vice presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, questionou o papel dos bancos no Brasil. Embora sejam uma concessão pública, as instituições financeiras não ajudam no desenvolvimento do País. Muito menos na desconcentração da riqueza. Pelo contrário. Tiram recursos da sociedade e concentram renda. Por isso, em 2017, ano marcado por uma profunda crise e desemprego elevado, lucraram mais de R$ 65 bilhões. E esse dinheiro vem de fundos públicos.

Tem mais, foram esses mesmos bancos que, junto com outros setores, inclusive os grandes meios de comunicação, iniciaram o golpe que tirou Dilma Rousseff, eleita democraticamente, da presidência. “Os rentistas ficaram incomodados com a política de redução de juros, iniciada no governo Dilma”, explicou Juvandia.

Não à toa, o presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, disse em recente entrevista à imprensa, que o projeto desenvolvimentista não pode voltar a dirigir o Brasil. “Eles querem esse modelo liberal que está imposto. Que retira os direitos dos trabalhadores, que tenta acabar com a aposentadoria e desmontar o Estado”, disse a vice presidenta da Contraf-CUT. Por isso, o governo ilegítimo de Michel Temer, que tem o maior índice de rejeição da história do País, desmonta os bancos públicos e, junto com eles, todo o patrimônio nacional.

O papel dos bancos públicos

Nos debates foi destacada a importância que essas estatais têm para o País, bem como para o desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste, pois elas financiam a agricultura familiar, os programas de inclusão social, como o Minha Casa, Minha Vida.

Outra palestrante, a economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Viviam Machado, apresentou dados importantes que ajudam a elucidar a boa vida do sistema financeiro no Brasil.

Os quatros maiores bancos em atividade no país (BB, Bradesco, Itaú e Santander), obtiveram lucro líquido de mais de R$ 65 bilhões no ano passado, crescimento de 20% em média. A rentabilidade também é uma das maiores do mundo e superam muitos gigantes americanos em ativos.

Com tarifas cobradas dos clientes, arrecadaram nada menos do que R$ 121 bilhões. Mas não é só isso. Sem regulação, os bancos fazem o que querem. Os juros do cartão de crédito, por exemplo, passa dos 450% ao ano e o cheque especial, 320%. Por sua vez, em 2017 fecharam 17.905 postos de trabalho. O número de agências também vem sendo reduzido, deixando a população carente desassistida.

Paulo Kliass, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, destacou que o governo, comprime a educação, a saúde, a Previdência, os investimentos em políticas públicas, com o falso argumento de acabar com a crise, mas não mexe no pagamento dos juros. “Nos últimos 20 anos, foram dirigidos R$ 5 trilhões para o pagamento da dívida pública”, destacou. O Brasil vive hoje uma ditadura financeira, que não se sabe como será o fim. “Mas é possível mudar”, destacou ao final o fundador do FSM, Antônio Martins, do Outras Palavras.

Cerca de 60 mil pessoas, de 120 países estão em Salvador (BA) participando do Fórum Social Mundial 2018, começou na terça-feira (13) e segue até sábado (17).

Fonte: Contraf-CUT

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