Trabalhadores vão às ruas no Dia Nacional de Luta contra a Privatização

Os protestos ocorreram em todos os lugares em que existem subsidiárias da Eletrobras Os protestos ocorreram em todos os lugares em que existem subsidiárias da Eletrobras
terça-feira, 17/04/2018

Com atividades realizadas em diversas regiões do País na segunda-feira (16/04), trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas no Dia Nacional de Luta contra a Privatização do Sistema Eletrobrás. A empresa pública vem sendo sucateada pelo governo Michel Temer (MDB-SP) para atrair compradores que só se interessam por altos lucros e não pela prestação de serviços de qualidade à população.

Em um destes atos, o Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia) denunciou que o sucateamento começou com milhares de demissões, em julho passado, quando a Eletrobrás anunciou um corte de metade do seu quadro. E em apenas um ano e meio, a empresa já implementou dois programas de demissões incentivadas. Mais de seis mil trabalhadores e trabalhadoras foram demitidos nos últimos 18 meses.

“Com menos trabalhadores, tanto a manutenção quanto a troca de equipamentos no tempo certo são prejudicadas e quem paga por tudo é o consumidor”, diz Carlos Alberto Alves, presidente do Sinergia Campinas e coordenador do Dia Nacional de Luta no Estado de São Paulo.

Ele avalia que a base do governo se equivoca ao dizer que vai ter apagão se não privatizar o Sistema Elétrico. “Vai ter apagão com a privatização porque o governo está sucateando a empresa e isso começou nos últimos anos, depois do golpe de 2016”.

O presidente do Sinergia Campinas critica a estratégia do governo Temer de enxugar muito sem se preocupar com a perda de conhecimento, do chamado know-how. “Quem está indo embora são os trabalhadores mais experientes, com 25 /30 anos de empresa. Com salários mais altos, os que têm know-how são os alvos principais das demissões”, diz.

Trabalhadores contra a privatização

Para o Sinergia, com a privatização da Eletrobrás, as hidrelétricas mais antigas que vendiam energia a preço de custo serão adequadas à vontade do mercado, ou seja, na ampliação do lucro.

Além disso, o governo estuda não renovar as concessões às distribuidoras de energia e reajustar as tarifas antes de privatizar a empresa. Com isso, espera atrair empresários e convencê-los de que seus lucros serão melhores com a cobrança de tarifas muito superiores.

“Isso é extorquir a população”, diz a direção do Sinergia em nota publicada no site do Sindicato. 

Troca de comando no ministério

A informação de que as ações da Eletrobrás desabaram – o prejuízo para a União foi de R$ 2,6 bilhões, em uma semana – após a troca de comando no Ministério das Minas e Energia (saiu Fernando Coelho Filho e entrou Moreira Franco) não surpreendeu o presidente do Sinergia.

“Os investidores estavam prontos para comprar a empresa. Mas Moreira Franco é um homem “fragilizado” por uma série de denúncias. O mercado achou ruim porque ele não reúne condições efetivas pra vender a Eletrobrás”, diz Carlos Alberto.

Na avaliação do dirigente, o quadro é pior ainda para o governo porque Moreira Franco não está conseguindo agregar o Congresso Nacional em torno da venda, já que a maioria dos deputados e senadores se posicionou contra a privatização.

“Não vai vender no tempo que o governo queria. E, é por isso também que estamos lutando”, afirma o representante do Sinergia. 

Negociação salarial

Em seu Dia Nacional de Luta os trabalhadores também reivindicam que a empresa aceite a pauta de reivindicações da categoria, que tem data base em 1º de Maio.

No entanto, não houve avanços por parte da direção da empresa, que não apresentou nenhuma proposta nas duas reuniões entre as partes. A Eletrobrás apenas comunicou que nenhuma reivindicação referente às cláusulas novas foi aceita.

A terceira rodada de negociação está prevista para o próximo dia 24 de abril. A Estatal se comprometeu a apresentar o índice de reajuste salarial e os índices econômicos da PLR referente ao exercício de 2017. 

O sistema Eletrobrás

A Eletrobrás é a maior produtora de energia junto a Itaipu. Atualmente a empresa tem 13 mil funcionários.

Atos no Brasil

O CNE (Coletivo Nacional dos Eletricitários), os trabalhadores de Furnas da base do Sinergia CUT e das demais empresas do Sistema Eletrobrás marcaram atos em todos os locais de Furnas, Eletronorte

Fonte: CUT Nacional

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