Sob protestos, Parlamento argentino aprova reforma da Previdência

Policiais agiram com truculência para reprimir protestos contra a reforma da Previdência na Argentina - Eitan Abramovich / AFP Policiais agiram com truculência para reprimir protestos contra a reforma da Previdência na Argentina - Eitan Abramovich / AFP
terça-feira, 19/12/2017

Após dezenas de horas de debates e intensos protestos nas ruas de Buenos Aires, a reforma da Previdência foi aprovada pelo Parlamento da Argentina na manhã desta terça-feira (19/12). Proposta pelo presidente neoliberal Maurício Macri, a reforma que ajustará as aposentadorias segundo a inflação e o aumento médio dos salários foi aprovada por 128 votos a 116. 

As Centrais Sindicais e trabalhadores argentinos são contra as mudanças nas regras da Previdência e estão protestando há dias nas ruas da capital na tentativa de impedir a aprovação. Na semana passada, a votação chegou a ser suspensa após atos convocados pelas Centrais Sindicais, reunindo milhares de manifestantes em frente ao Congresso argentino.

As manifestações foram duramente reprimidas pelas forças policiais, deixando ao menos uma centena de feridos e cerca de 40 detidos. 

Na segunda (18), também foram registrados protestos e panelaços em vários bairros da capital e em diferentes pontos do país. 

A lei pretende modificar a fórmula de cálculo para as atualizações das pensões e elevar a idade de aposentadoria, de maneira opcional, de 65 para 70 anos para os homens e de 60 para 63 anos para as mulheres. Estima-se que a modificação no cálculo das pensões atingirá 17 milhões de trabalhadores e trabalhadoras argentinos. 

O governo estabeleceu um pacto fiscal com 23 das 24 províncias, em sua maioria interessada no dinheiro a ser economizado pela reforma, calculado em 100 bilhões de pesos (5,5 bilhões de dólares), para saldar suas dívidas.

A reforma era crucial para o governo, que pretende reduzir o déficit fiscal calculado em 5% do PIB (Produto Interno Bruto), tal qual pretende fazer no Brasil Michel Temer (PMDB), alegando déficit nas contas da Previdência.

Fonte: CUT

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