TÁ TUDO MUITO CARO!

Povo vai às ruas dias 24, 25 e 26 em protesto contra preços altos no País

Foto: Roberto Parizotti Foto: Roberto Parizotti
terça-feira, 21/06/2022

Com o mote “Tá tudo muito caro, o povo é que sente!”, nos dias 24, 25 e 26 de junho a população brasileira vai às ruas denunciar o estrago que a política econômica e social adotada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) está fazendo em suas vidas.

Serão três dias do Mutirão de Mobilização, organizado pelo Movimento Juntos Pelo Brasil por meio de seus Comitês Populares em Defesa da Classe Trabalhadora e pela Democracia.

As ações serão feitas tanto em comércios – supermercados, feiras, quitandas, padarias e outros locais onde os brasileiros ‘sentem o peso dos preços’ – quanto nas redes sociais para dar ainda mais visibilidade à insustentável realidade de carestia e fome pela qual passa o Brasil com Bolsonaro.

A cada ida ao supermercado o brasileiro constata ainda mais uma realidade que já se tornou insustentável. Preços cada vez mais altos. Poder de compra cada vez menor. A situação é crítica para milhões de famílias que já não conseguem mais comprar nem o básico para poder sobreviver durante o mês.

O presidente parece ignorar o caos que seu governo criou, se concentra em atacar direitos sociais e trabalhistas, nem pensa em rever ou acabar com a política de PPI (Preço de Paridade de Importação) da Petrobras, a verdadeira responsável pelos preços altos dos combustíveis, que impactam fortemente nos índices de inflação.

Um estudo feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra a variação dos preços de produtos que o brasileiro mais consome em uma comparação entre janeiro de 2019, primeiro mês de mandato do atual presidente, com os dias atuais.

Nos combustíveis, a variação do diesel, por exemplo, chega a 100,20%. Veja a tabela comparativa:

A cesta básica, por consequência, também aumentou. Em janeiro de 2019, a média nacional do preço da cesta básica era de R$ 467,65. Em maio de 2022, último mês medido pelo Dieese, a média foi de R$ 777,93, uma alta de 66,35%. Somente a carne aumentou 88,35%, o leite, 49% e o feijão 63,71%. As maiores altas foram da batata (115,5%) e óleo (198,8%).

Para o povo, o principal responsável pelo aumento de preços, que impactam diretamente nas famílias, tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro. E tem especialistas que analisam os fatos e chegam à mesma conclusão.

“O Brasil tinha ferramentas que poderiam interferir nessa alta de preços, mas ao invés de usá-las, preferiu aumentar os juros para baixar a atividade econômica em um momento de já baixa atividade”, afirma a técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional, Adriana Marcolino.

Duas das ferramentas, segundo ela, são a política de preços da Petrobras, o PPI, que se baseia na variação internacional do barril do petróleo e na cotação do dólar para definir os preços no pais de importação, implantada pelo governo Temer em 2018), e os estoques reguladores de alimentos mantidos pelo governo, que na atual gestão foram esvaziados não possibilitando uma ação do Estado para controlar preços em tempos de crise.

“O Brasil reduziu a capacidade de suas refinarias. Com isso nos tornamos mais dependentes da importação do petróleo refinado”, explica Adriana.

Na outra ponta, o País também adotou uma política de não incentivar a Agricultura Familiar, dificultando o acesso desses agricultores a crédito e tecnologia necessária para a produção. O setor é responsável por cerca de 70% do que vai à mesa do brasileiro. Com menos crédito e menor capacidade, falta produção e os preços ficam mais caros ao consumidor.

“Bolsonaro extinguiu o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) que poderia pensar em medidas de acesso a alimentos mais baratos e privatizou armazéns que mantinham os estoques reguladores”, diz Adriana.

O controle de mercado com esses estoques se dão pela intervenção do Estado que em épocas de alta produção compra os alimentos como grãos (arroz, milho, soja, feijão, por exemplo) a preço competitivo e vende quando há escassez desses produtos, assim, mantendo um patamar de preços no mercado. Sem estoques, a demanda é que estabelece esses preços, ou seja, encarece o custo final aos brasileiros.

“Os aumentos dos preços são resultados da política econômica. Temos um cenário complicado por fatores como seca, guerra e pandemia que contribuem para que haja inflação e problemas de abastecimento, mas a diferença entre o Brasil e todos os outros países onde houve aumento da inflação é o tamanho do índice e a letargia do governo brasileiro em adotar políticas para aliviar o processo inflacionário”, aponta Adriana Marcolino.

Ou seja, a culpa pela disparada dos preços é de Bolsonaro e, por isso, o povo vai dizer nas ruas para quem ainda não sabe.

INPC acumulado e endividamento

Ainda mostrando a escalada de reajustes, de acordo com os dados do Dieese, o setor de transportes acumulou alta em 12 meses (de junho de 2021 a maio de 2022) de 18,08%. A alimentação subiu 13,44%. Nessa toada, o Índice INPC (Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação oficial do País, deverá fechar em 11,40% no mês de junho.

Outra consequência da inflação é o aumento do endividamento das famílias, que perto do fim do mês acabam não conseguindo fazer as contas caberem no orçamento. Incluindo dívidas relacionadas à habitação (prestação da casa própria ou aluguel), hoje, 52,57% dos brasileiros não estão conseguindo pagar todas as contas. Em dezembro de 2020, o índice era de 43,87%

“Estamos vivendo um aumento do endividamento das famílias, inclusive para compra de itens básicos, em um contexto de aumento dos juros”, diz Adriana Marcolino. Na semana passada, o Banco Central elevou a taxa de juros básica (Selic) mais uma vez, passando de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano.

Aumento da fome e da pobreza

A técnica do Dieese explica ainda que como os preços estão relacionados ao consumo básico das famílias, ou seja, a alimentação e o transporte, a inflação acaba impactando na renda dos mais pobres.

“Não tem como abrir mão disso [alimentação e transporte] sem passar por necessidade profunda. A fome está relacionada a isso. As pessoas ou compram menos ou não compram porque não têm dinheiro e então, passam fome”, diz Adriana explicando que são os alimentos os produtos que mais pesam orçamento - cerca de 60% do salário mínimo, conforme estudo do Dieese.

Em um cenário de desemprego, baixa renda e preços de alimentos nas alturas, a realidade não poderia ser outra a não ser o aumento da fome no País. Só entre dezembro de 2020 e abril de 2022, aumentou de 19 milhões para 33,1 milhões o total de pessoas com fome no Brasil, segundo dados da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional).

Para sair do buraco

Adriana Marcolino avalia que o desafio de fazer o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento não é fácil, porque o Estado foi severamente desmontado em suas políticas econômicas e sociais principais após o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff.

Mas ela destaca que, apesar de o desmonte ter diminuído a capacidade de reação do País, há medidas que são necessárias para a reconstrução do Brasil. São elas:

  • Proteger desempregados não só com o Seguro-desemprego, mas com programas de transferência de renda, como Bolsa Família, vale gás, transporte social, isenção de tarifas em serviços públicos;

  • Programas de garantia de segurança alimentar à população mais vulnerável;

  • Revisão de preços de serviços e produtos essenciais como alimentos, energia, medicamentos e combustíveis;

  • Suspenção da PPI da Petrobras;

  • Fortalecimento da agricultura familiar e estoques reguladores:

  • Fazer programa de renegociação de dívidas.

Para abrir os olhos do presidente sobre a sua responsabilidade e o que precisa ser feito para mudar o quadro, o povo estará nas ruas nos dias 24, 24 e 25.

De acordo com os organizadores, “vale manifestação, panfletagem, diálogo com a população e até visitas de porta em porta e em ‘festas juninas”.

O objetivo da mobilização é estimular todos que querem fazer algo para reconstruir o Brasil a se engajarem de alguma forma, com atividades em todas as cidades, como visitas de casa em casa, distribuição de materiais educativos, ações de solidariedade e, também, caminhadas, bicicletadas, panfletagens, eventos culturais, entre outras ações.

Por Andre Accarini, com edição de Marize Muniz/CUT Nacional

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