Bancos foram os maiores beneficiados com o Refis

Bancos foram os maiores beneficiados com o Refis
quinta-feira, 29/03/2018

Os bancos, setor mais lucrativo da economia, foram os maiores beneficiados com o Refis, programa de parcelamento de débitos tributários da União. Itaú, Santander, Safra e Rural tiveram abatimento de mais da metade das suas dívidas pelo governo federal.

Juntos, os quatro bancos negociaram uma dívida total de R$ 657,3 milhões, mas terminaram se comprometendo a pagar apenas R$ 302 milhões.

Em 2017, o Itaú obteve o maior lucro da história de uma instituição financeira no País, R$ 24,8 bilhões, crescimento de 12,3% em relação a 2016. Por sua vez, o Santander tem no Brasil sua maior fonte de lucro em todo o mundo. No ano passado teve o seu melhor resultado no País, embolsando mais de R$ 9 bilhões, crescimento de 35,6% em 12 meses.

Mesmo com estes resultados impressionantes, os bancos que operam no Brasil seguem cortando milhares de postos de trabalho. Juntos, Itaú, Santander e Bradesco extinguiram quase 18 mil empregos. Não existe razão para que um setor que lucra bilhões e que não contribui com o nível de emprego no País seja beneficiado com o perdão de dívidas milionárias, principalmente se for levado em conta o atual cenário em que os cortes de recursos públicos deve durar 20 anos e está afetando todas as áreas.

Esse governo que abre mão de uma quantia elevada em dívidas do setor financeiro é o mesmo que rasga a CLT (Consolidação das leis do Trabalho) com a reforma trabalhista, que teve a colaboração dos bancos, e que incentiva o emprego informal no País, com o qual está deixando de arrecadar muitos recursos em impostos.

Essa manobra joga por terra o discurso de austeridade fiscal e escancara a quem serve hoje o setor mais lucrativo da sociedade brasileira que está cobrando sua parte no golpe que levou Michel Temer ao comando do País.

Refis

O perdão concedido pelo governo federal no parcelamento de débitos tributários, o Refis, deve chegar a R$ 62 bilhões, o dobro do calculado inicialmente pela Receita Federal. Isso porque, diferente da primeira versão do programa, o Refis aprovado tem regras mais generosas, que permitem descontos de até 70% em multas e  90% nos juros.

As regras mais generosas no Refis são fruto da pressão de parlamentares, muitos com débitos com a União. Temer cedeu à pressão, de olho na votação da reforma da Previdência, que acabou sendo engavetada devido à mobilização dos trabalhadores de diversas categorias, incluídos os bancários.

Fonte: Sindicato de São Paulo

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