Brasileiros são contra privatização das empresas estatais

Brasileiros são contra privatização das empresas estatais
quarta-feira, 30/05/2018

A absoluta maioria dos brasileiros se posiciona contra privatização de empresas e serviços públicos, segundo apurou a pesquisa CUT/Vox divulgada na segunda-feira (28/05).

E entre as razões para discordar do pacote de privatizações do governo Michel Temer (MDB) os entrevistados e entrevistadas citaram preços mais caros, demissões de trabalhadores, redução de salários e mais: não é um bom negócio nem traz benefícios para o Brasil, só beneficia empresários, investidores e os ricos.

Perguntados se concordavam com a privatização da Petrobras, 60% foram contra e 59% disseram que a venda da companhia só beneficiaria os empresários, os investidores e os mais ricos.

 

Em relação à privatização da Caixa Econômica Federal, 60% responderam que são contra a venda do banco público – 61% acham que a privatização beneficia os de sempre, empresários, investidores e ricos.

 

Este é o mesmo entendimento revelado por 58% dos brasileiros e brasileiras sobre a venda do Banco do Brasil. Para 59% dos entrevistados, isso só beneficia empresários e os ricos.

 

A intenção de Temer de se desfazer da Eletrobras é reprovada por 57% das pessoas que participaram dessa consulta, que apontaram, entre outros motivos para esse posicionamento, o fato de que isso não beneficia nem o Brasil nem os brasileiros.

 

No geral, 55% dos entrevistados pela CUT/Vox são contra a privatização. Outros 23% são a favor e 22% não souberam ou não quiseram responder. A maior rejeição a venda de empresas e serviços públicos foi registrada na Região Sudeste (59), seguida pela Região Centro/Oeste-Norte (57%); e Sul e Nordeste, com 49% cada.

Não importa o gênero, a idade, a escolaridade ou a renda, todos são contra a privatização das empresas ou serviços públicos.

Gênero e idade

Entre os homens, o índice dos contrários é de 54% e entre as mulheres é de 55%. No recorte por faixa etária, o cenário é o mesmo: 51% dos jovens, 57% dos adultos, e 52 dos maduros não querem da venda das empresas e serviços brasileiros.

Escolaridade e renda

Por escolaridade, os percentuais também são acima de mais da metade dos entrevistados - 55% no ensino fundamental e no médio e 53% nos que têm ensino superior. O mesmo ocorre no recorte por renda: 51% dos que ganham até 2 salários mínimos são contra, 59% dos que ganham mais de 2 salários mínimos até 5 salários mínimos, e 54% entre os que têm nível superior.

Setores estratégicos

Entre os 23% que são a favor da privatização, 45% acham que todas as empresas e serviços deveriam ser privatizados; 50% acham que apenas algumas que não forem de setores estratégicos podem ser colocadas à venda; e 5% não souberam ou não quis responder.  

Entre os 55% que são contra a privatização, 59% não quer que nenhuma seja vendida; 31% apenas algumas e 10% não sabem ou não responderam.

Avaliação da privatização feita no Brasil nos últimos 30 anos

Sobre as empresas que eram públicas e foram privatizadas no Brasil nos últimos 30 anos, a avaliação também é negativa.

Para 44%, nas mãos da iniciativa privada, as empresas não ficaram rentáveis nem fortes; os preços estão mais caros (42%), o número de empregados diminuiu (38%), os salários foram rebaixados (31%) e a qualidade dos produtos piorou (24%).

Para 33% dos entrevistados e entrevistadas, a privatização não trouxeram benefícios para o Brasil, 50% não é um bom negocio.

Bancos Públicos

Ainda em relação aos bancos públicos, 49% dos entrevistados pela pesquisa CUT-Vox acham que o Banco do Brasil e a Caixa, bem como as demais instituições financeiras públicas, são indispensáveis ao desenvolvimento nacional e não devem ser privatizados.

Outros 26% acham que os bancos privados são capazes de fazer as mesmas coisas e que a privatização do Banco do Brasil e da Caixa seria boa para o País.

Para 47%, se a Caixa for privatizada muitas cidades do interior vão ficar sem agências bancárias e muitos programas sociais vão diminuir ou parar de funcionar. Para 27%, isso não vai acontecer, ou seja, não haverá redução na cobertura de agências ou perdas nos programas sociais.

Sobre a administração dos recursos do FGTS

A pesquisa revelou que para 49% dos entrevistados se a Caixa for privatizada o FGTS não vai ser mais destinado a financiar a habitação para famílias de renda baixa e média. Já outros 26%, acreditam que mesmo se for privatizada a Caixa continuará prestando esse tipo de serviço. 

Clique aqui para conferir a íntegra da pesquisa.

Por Marize Muniz/CUT Nacional

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