Série da Netflix relembra caso das contas CC-5 do Banestado

Série da Netflix reabre a "ferida" do escândalo do Banestado, que poder ter movimentado mais de meio trilhão de reais na década de 90 Série da Netflix reabre a "ferida" do escândalo do Banestado, que poder ter movimentado mais de meio trilhão de reais na década de 90
sábado, 07/04/2018

A grande imprensa há tempos não lembra mais o caso, mas uma nova série “O Mecanismo”, da Netflix, canal de TV aberta na internet, aborda o escândalo das contas CC-5 do Banestado (Banco do Estado do Paraná), pelas quais foram movimentados R$ 28 bilhões em dinheiro obtido ilegalmente e enviados ao exterior.

Na versão deste caso, ocorrido nos anos 90, o diretor da série José Padilha coloca como um dos personagens principais do esquema o doleiro Alberto Youssef, que foi pivô da Operação Lava Jato.

Ele era o responsável por enviar o dinheiro obtido de forma ilegal a outros países usando dados de "laranjas" e usava, na maioria das vezes as contas da agência do Banestado em Nova York.

Embora essa transação fraudulenta tenha sido iniciada no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1996, o diretor ambienta a trata a partir de 2003, quando Lula era presidente do Brasil.

Naquela época, foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o escândalo e após um ano e meio de investigações o relatório indicou o indiciamento de 91 pessoas por crimes contra o sistema financeiro, sonegação, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa.

Entre os suspeitos estavam Gustavo Franco, presidente do Banco Central no governo de FHC, Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo, Samuel e Michel Klein, donos das Casas Bahia, além de outros doleiros, empresas de comunicação, como a Rede Globo, SBT, grupo Abril, e as construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, as mesmas envolvidas no escândalo da Petrobras.

As investigações feitas pelo delegado da Polícia Federal, José Castilho, foram minadas e ao contrário de agora, com a Operação Lava Jato, os trambiques feitos por meio do então banco público paranaense não resultaram em longas prisões preventivas. Dos mais de 600 acusados neste caso, muitos foram beneficiados com a prescrição dos crimes e apenas personagens menores chegaram a cumprir pena.

O juiz do caso era Sérgio Moro, que atualmente posa de caçador de corruptos.

Saiba mais sobre o escândalo das contas CC-5 do Banestado no site da Carta Capital.

Por Armando Duarte Jr./Fonte: Netflix

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