Caixa tem lucro recorde de R$ 6,65 bilhões no primeiro semestre

Caixa tem lucro recorde de R$ 6,65 bilhões no primeiro semestre
segunda-feira, 20/08/2018

A Caixa Econômica Federal obteve Lucro Líquido de R$ 6,65 bilhões no primeiro semestre de 2018, o que representa crescimento de 63,3% na comparação com o mesmo período de 2017 e de 8,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano. É o melhor resultado do banco em toda a história.

“Com um resultado destes, é um absurdo a Caixa ter apresentado proposta de redução e retirada de direitos dos empregados e empregadas na mesa de negociação. Além de fazer tudo o que é cobrado pelo banco, os bancários realizaram trabalho extraordinário no atendimento à população para pagamento do PIS e do FGTS decretados pelo governo”, disse o coordenador da CEE (Comissão Executiva dos Empregados), lembrando que, na mesa de negociações a diretoria vem ameaçando a sustentabilidade do Saúde Caixa (o plano de saúde dos empregados), a não pagar a PLR Social e outros direitos estabelecidos no Acordo Coletivo de Trabalho específico dos funcionários.

Dionísio explicou que a Caixa alterou o método de cobrança dos empregados e estipulou uma meta de R$ 9 bilhões de lucro no ano. “Mesmo desempenhando tarefa extraordinária, o trabalho dos funcionários deu resultado, mesmo neste novo método de cobrança”, ressaltou Dionísio.

Para ele, a Caixa precisa reconhecer o esforço de seus empregados e colocar uma proposta decente já na próxima mesa de negociação que ocorrerá nesta terça-feira (21/08).

Sobrecarga de trabalho

Segundo análise feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com base no Relatório de Administração da Caixa, três fatores influenciaram diretamente o resultado.

Um destes fatores foi o corte das despesas administrativas, em especial as despesas com pessoal, que apresentaram uma redução de 7,5%. Em 12 meses, a Caixa fechou 3.777 postos de trabalho através de PAA (Plano de Apoio à Aposentadoria) e do PDVE (Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário). Encerrou o primeiro semestre com 86.424 empregados. Desde 2010, ano em que contava com um contingente de 83.105 empregados, a Caixa não tinha registrado um número tão baixo em seu quadro.

“Os bancários, que já trabalham em excesso, ficaram ainda mais sobrecarregados com a redução do quadro de pessoal”, disse Fabiana Uehara Proscholdt, secretária de Cultura e representante da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) na mesa de negociações com a Caixa.

Segundo Fabiana, houve também o aumento do número de clientes e o fechamento de agências, comprometendo ainda mais as condições de trabalho. “Os empregados ficam sobrecarregados e os clientes nervosos por terem que esperar tanto tempo nas filas. É preciso contratar mais empregados para melhorar o atendimento à população e reduzir a sobrecarga de trabalho”, disse dirigente da Contraf-CUT.

Em um ano, o banco fechou 66 agências/postos de atendimento e viu sua carteira de clientes aumentar em 4,5 milhões.

Exploração dos clientes

Mesmo com a redução dos funcionários e dos postos de atendimento, a arrecadação da Caixa com prestação de serviços e tarifas bancárias aumentou em 6,5% no primeiro semestre de 2018, totalizando R$ 13 bilhões. Segundo a gestão do banco, esse resultado foi influenciado pelas receitas de conta corrente, cartões e administração de fundos de investimento. Assim, o índice de cobertura das despesas de pessoal com a arrecadação secundária de recitas ficou em 119,6%, elevação de 12,6 pontos percentuais 12 meses.

Em sua análise, o Dieese observa que, na prática, trata-se da “busca por uma rentabilidade cada vez maior em detrimento do papel social (do banco) e isso, através do abandono da premissa antes adotada de manter-se como ‘o banco das menores taxas’”.

O coordenador da CCE/Caixa corrobora com essa análise e para ele a Caixa tem que crescer, mas lucratividade não significa necessariamente crescimento do banco público. “A Caixa tem que crescer para o País crescer, na medida em que o Brasil crescer. O banco público tem que contribuir com esse crescimento. Não é isso o que estamos vendo”, critica Dionísio.

Veja abaixo a tabela com resumo do balanço Caixa e clique aqui para ler na íntegra a análise do Dieese.

Fonte: Contraf-CUT

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