Dieese apresenta dados sobre emprego nas financeiras

As técnicas do Dieese, Cátia Uehara e Bárbara Vazques, expuseram o balanço das financeiras dos anos de 2015 e 2016 no segundo dia do evento - Foto: Jailton Garcia As técnicas do Dieese, Cátia Uehara e Bárbara Vazques, expuseram o balanço das financeiras dos anos de 2015 e 2016 no segundo dia do evento - Foto: Jailton Garcia
sexta-feira, 02/06/2017

Na manhã de hoje (2/06)¸segundo dia da 2ª Conferência Nacional dos Financiários, que acontece em São Paulo, na sede da Contraf-CUT, as técnicas da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) Cátia Uehara e Bárbara Vazques expuseram o balanço das financeiras dos anos de 2015 e 2016 e apresentaram o mapeamento do setor financeiro, baseados em dados da Austin Invest e do Banco Central.

Catia Uehara explicou que o levantamento dos dados foi dificultado devido à falta de informações detalhadas. “O segmento carece de informações precisas, mas, com nosso trabalho, será possível explorar informações importantes, que poderão ser utilizadas na hora de negociar com as financeiras”, afirmou.

A economista explicou que o lucro das financeiras nos últimos anos foi bastante variável devida à situação econômica do país. “Em 2014, as financeiras tiveram lucro de 20%, porém, no ano seguinte, ocorreu uma redução de 37%. Em 2016, o resultado também foi negativo. Podemos observar, também, a disparidade do lucro obtido pela Crefisa na comparação com as demais instituições”, explicou Cátia.

A Crefisa foi a financeira com o maior lucro em 2016, com R$ 1,1 bilhão. O Itaú foi o segundo, com R$ 237,1 milhões, e em terceiro, a Midway, com R$ 210,1 milhões. Em ativos, a BV Financeira está em primeiro lugar, com R$ 40 bilhões. Em segundo lugar vem a Aymoré, com R$ 31,2 bilhões e a Porto Seguro em terceiro lugar, com R$ 5,2 bilhões. Já sobre o patrimônio líquido, a Crefisa aparece em primeiro lugar novamente, com R$ 3,9 bilhões, a BV Financeira R$ 1,7 bilhão e Aymoré com R$ 1,4 bilhão.

Empregos

A economista Bárbara Vazques apresentou os números da participação do emprego em financeiras. “Os dados sobre emprego também podem ser úteis no momento da negociação, afinal, os trabalhadores são os geradores dos lucros para as instituições”, avaliou.

Os financiários representam 0,8% do emprego no setor financeiro, sem contar os trabalhadores que estão informais, aqueles que prestam serviços para uma mesma holding.

De acordo com Bárbara, 80% dos trabalhadores estão nas cinco maiores financeiras. “Embora o controle do sistema financeiro seja centralizado, as situações dos trabalhadores são complexas e diversificadas”.

Ela disse ainda que existem mais trabalhadores financiários do que bancários e que há mais contratações neste segmento. Enquanto houve aumento de 52% entre fiinanciários, entre bancário houve apenas 27%. Além de serem em maior número, os financiários são a categoria com o maior aumento da remuneração média, com um crescimento de 67,9% de 2002 para 2015. “Esses dados não condizem com o ganho em Acordos Coletivos obtidos pela categoria e nem pelo patamar que a categoria se encontra, que é bem mais baixo que os de 2002”, explicou a técnica do Dieese.

O tempo de permanência no emprego chama atenção por ser inferior ao apresentado no sistema financeiro em geral. Os financiários ficam em torno de 6,4 anos e os bancários 8,1.

Um quinto da categoria trabalhadora é demitido ao ano. “Essa taxa é muito alta e é evidente que quando se faz desligamentos no setor, se contrata novamente e com menor salário”.

Há uma concentração do número de trabalhadores registrados em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná (44% em São Paulo, 11% no RS e 9% no PR). Acre e Alagoas são os Estados com menor número de financiários.

As mulheres são maioria com 53%, apesar de estarem com remuneração menor, com diferença de 28%. A participação dos jovens é expressiva com 20% dos trabalhadores. Os financiarios possuem escolaridade bastante elevada. Quase toda a categoria está no curso superior, o que é considerada uma média bastante alta para o mercado de trabalho brasileiro.

“A Conferência tem o desafio de pensar como a ação sindical unificada pode deixar um pouco mais homogênea a condição de trabalho no setor. O tipo de terceirização que vai se estabelecer no setor financeiro. As financeiras têm sido muito atingidas com relação a isso e esses termos têm que estar presentes em nossas ações daqui pra frente”, finaliza Bárbara.

Fonte: Contraf-CUT

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