Itaú obriga bancários a depor contra si mesmos

Itaú obriga bancários a depor contra si mesmos
segunda-feira, 30/10/2017

O Itaú sempre dá um jeito de sair na frente dos demais concorrentes quando o assunto é desrespeito com seus funcionários. O site do Sindicato dos Bancários de Santos informa que o banco está pressionando bancários a “confessarem” erros para depois demiti-los por justa causa.

Conforme denúncia da entidade, esses trabalhadores são chamados na auditoria, que fica no Ceic, para redigir carta de próprio punho, ditada pelo representante do banco, admitindo ter realizado algo que vai contra a política oficial da instituição financeira. Logo em seguida, esse funcionário é desligado, e sem receber nenhuma verba indenizatória.

 “Isso é uma arbitrariedade sem tamanho. Orientamos os bancários e bancárias, não só do Itaú, mas de todos os bancos, a não redigirem esse tipo de carta. Se houver pressão neste sentido denuncie ao Sindicato”, alerta Kelly Menegon, diretora do Sindicato de Londrina e representante do Vida Bancária na Comissão de Organização dos Empregados do Itaú.

Kelly afirma que possíveis erros que os bancários possam cometer são resultado da própria política de imposição de metas do banco. Conforme informa o Sindicato de Santos, o problema é que quando esses erros se tornam reclamações de clientes a órgãos como o Banco Central, o Itaú tenta se eximir de sua responsabilidade e jogar toda a culpa sobre o trabalhador.

“Essa é a consequência do assédio moral e da pressão constante por metas que ocorrem de forma generalizada no Itaú em todo o País. Por conta dessa forma de gestão, que não é assumida pela instituição, o bancário acaba cometendo erros e às vezes passa por cima da política oficial do banco para vender produtos que o banco quer empurrar para os clientes, como acontece com a venda casada, por exemplo”, aponta a diretora do Sindicato de Londrina, acrescentando que quando isso vai parar na Justiça a bomba acaba ficando para o funcionário, que é demitido por justa causa.

Consequências

Quando o bancário se recusa a redigir a carta, o banco o afasta por um período de mais ou menos 15 dias. É o tempo que o Itaú leva para analisar se vai demitir o bancário por justa causa ou se será dispensa sem justa causa. De qualquer forma, quando o bancário é chamado para a auditoria e pressionado a escrever a carta, ele será demitido. Infelizmente o banco está fazendo isso para eliminar postos de trabalho, e não está revendo suas práticas para o atingimento de metas.

 É muito importante que os bancários e bancárias fiquem atentos às regras do banco ao que diz o Código do Consumidor. Não desrespeite essa política ainda que esteja sendo pressionado pelo seu gestor a bater metas e a vender produtos. Paute-se pela ética e pelo que o banco declara como o correto.

Fonte: Sindicato de Santos

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