Santander suspende exposição sobre diversidade em Porto Alegra após protestos

A mostra "Queermuseu" tinha 270 obras expostas na Fundação Cultural Santander, em Porto Alegre A mostra "Queermuseu" tinha 270 obras expostas na Fundação Cultural Santander, em Porto Alegre
terça-feira, 12/09/2017

O Santander decidiu suspender no último domingo (10/09) a exposição “Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira", iniciada no dia 15 de agosto na Fundação Cultural que o banco mantém em Porto Alegre, após protestos surgidos nas Redes Sociais com a divulgação de algumas imagens das obras.

As críticas vieram, principalmente, do MBL (Movimento Brasil Livre), o mesmo que saiu às ruas para defender o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e de religiosos. Eles alegaram que o conteúdo "incita a pornografia e a pedofilia".

O curador da exposição, Gaudêncio Fidelis, declarou, em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, ter ficado decepcionado com a posição do Santander Cultural por ter validado os protestos contra obras de teor supostamente sexual.

"O Santander infringiu as regras mais básicas de direito, de respeito e de consideração aos artistas presentes, sem inclusive consultar a curadoria e sem considerar que estávamos realizando um trabalho de construção de conhecimento", reclamou.

Em nota, o banco disse que "isso (a exposição) não faz parte de nossa visão de mundo, nem dos valores que pregamos. Por esse motivo, encerramos antecipadamente a mostra".

O Santander investiu cerca de R$ 800 mil na exposição “Queermuseu” por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Segundo noticiou a Folha, cerca de 20 mil clientes encerraram suas contas no banco espanhol dois dias após surgir a polêmica nas redes sociais.

Critica

Para a Contraf-CUT a atitude tomada pelo Santander configura censura e, por isso, a entidade repudiou veementemente o cancelamento da exposição, por considerar um ato de intolerância de um setor social a uma mostra artística que retrata uma realidade que costuma ser escondida pela sociedade. “Não é só a hipocrisia social que se revela aí: trata-se do caráter repressivo de um banco que se esconde atrás de uma fachada de modernidade, enquanto trata seus empregados com autoritarismo e exploração”, criticou Mauro Salles Machado, secretário de Políticas Sociais da Contraf-CUT.

A mostra tem 270 obras relacionadas a questões de gênero, de 85 artistas, como Adriana Varejão, Cândido Portinari e Ligia Clark.

De acordo com Mauro, ao se submeter aos grupos conservadores, o banco não só autoriza a volta da Censura no Brasil, como mostra que seu apoio à arte e a cultura, na verdade não passa de um lance de “marketing” para o grande público. “Enquanto esta instituição financeira bilionária, espalhada pelo mundo, finge dar grande apoio a arte, internamente ela segue explorando seus empregados, paga mal e pratica assédio moral ao impor metas abusivas para os bancários.”

Para o dirigente da Contraf-CUT, ao aceitar a censura sobre a arte o banco expõe a sua própria prática dentro de cada agência bancária, onde são frequentes os casos de preconceito e discriminação de bancários negros, LGBTs, pessoas com deficiência e outras chamadas minorias. “Qualquer ato de intolerância não serve aos trabalhadores.”

Fonte: Contraf-CUT, com informações da Folha de S.Paulo

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