Venda do Banespa para o Santander completa 17 anos

Acácio dos Santos, diretor do Sindicato de Londrina, afirma que só com uma forte mobilização será possível conter a retirada de direitos conquistados pelos banespianos Acácio dos Santos, diretor do Sindicato de Londrina, afirma que só com uma forte mobilização será possível conter a retirada de direitos conquistados pelos banespianos
segunda-feira, 20/11/2017

Neste dia 20 de novembro, a privatização do então Banco do Estado de São Paulo completa 17 anos. Apesar da intensa luta dos funcionários, funcionárias e entidades contrárias à venda da instituição pública, a mesma foi vendida em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro pela bagatela de R$ 7,050 bilhões ao grupo espanhol Santander.

É uma data que nunca será esquecida pelos milhares de banespianos, clientes e pela população do Estado de São Paulo, que perdeu não só um dos seus maiores patrimônios, mas também a fonte de investimentos em infraestrutura básica, habitação e outros serviços que eram feitos através das linhas de financiamento do banco público.

A luta para impedir a privatização foi iniciada no final de 1994, quando o Banespa sofreu intervenção do Banco Central a pedido do então governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). Antes de assumir o cargo, Covas havia se comprometido a preservar o banco e até deixou isso registrado em carta dirigida aos banespianos, na qual destacou a importância da instituição para o desenvolvimento do Estado.

Clique aqui para ler a carta de Covas.

A mobilização teve vigílias, reuniões com parlamentares e a busca de apoio da sociedade em defesa da manutenção do banco público, à época um dos principais do País.

Mas os interesses do governo neoliberal do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), aliado de Covas, falaram mais alto e derrubaram as liminares conseguidas pela Afubesp (Associação dos Funcionários do Banespa) e Sindicatos que impediam a venda do banco.

“A população de São Paulo e os funcionários do Banespa acabaram pagando caro por essa transação. Hoje, o Santander comemora lucros cada vez mais altos no Brasil por conta das tarifas altíssimas cobradas dos clientes, pelo corte de pessoal para reduzir as despesas com a folha de pagamento e não investe em políticas públicas, além de fugir de suas responsabilidades em relação ao Banesprev e à Cabesp”, aponta Acácio dos Santos, diretor do Sindicato de Londrina e da Afubesp.

Para Acácio, a cada no da privatização é preciso que os funcionários e funcionárias do Banespa renovem o espírito de garra para impedir a retirada dos direitos conquistados quando o banco era público.

“Só com uma forte mobilização conseguiremos impedir que o Santander retire o que foi conquistado com muita luta”, ressalta.

Por Armando Duarte Jr.

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