Encontro em São Paulo discute Cabesp e Banesprev

Na véspera do feriado do de Finados os banespianos se reuniram em São Paulo para definir estratégias em defesa dos direitos Na véspera do feriado do de Finados os banespianos se reuniram em São Paulo para definir estratégias em defesa dos direitos
quinta-feira, 09/11/2017

Dezenas de banespianos participaram no dia 1º de novembro, em São Paulo, de encontro para discutir a situação do Banesprev e da Cabesp, respectivamente, o fundo de pensão e a caixa de assistência dos funcionários do Santander/Banespa.

O evento foi convocado pela Afubesp e os Sindicatos e teve por objetivo esclarecer os funcionários da ativa e aposentados a respeito das ameaças que rondam as duas entidades, tais como o desmonte da Cabesp com diminuição de coberturas, aumento no teto da coparticipação e reforma no Estatuto.

Em relação ao Banesprev, o tema foi a intenção do Santander de investir no fim dos poderes deliberativos da Assembleia de participantes, transformando o Conselho Deliberativo em única instância maior de decisão.

Participaram da reunião o presidente da Afubesp Camilo Fernandes, os diretores Wagner Cabanal, Vera Marchioni (também integrantes da chapa ‘Mãos Dadas pela Cabesp’) e o secretário-geral Walter Oliveira.

Quanto à situação do Banesprev, o alerta principal foi sobre a possibilidade de a Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) aceitar a alteração proposta pelo banco de esvaziar o poder dos participantes na gestão do fundo.

“Se a Previc aceitar o fim da Assembleia, estará se contradizendo. E se não nos mobilizarmos contra isso, daremos um cheque em branco para o Santander retirar nossos direitos”, afirmou Walter, que criticou a visão financista da entidade.

A mensagem é clara: o patrimônio de ambas as entidades pertence a ninguém mais, ninguém menos do que os seus próprios participantes e assistidos. Por isso, como bons banespianos, as Associações buscam união contra retrocessos. Inclusive em reuniões com a nova presidente da Cabesp, Maria Lúcia Ettore, se posicionando contra o aumento do teto da coparticipação que hoje é de R$ 125,00 e passaria a R$ 270,00 – com o detalhe perverso da individualização. Ou seja, o valor recairia para cada membro da família.

Na opinião de Camilo Fernandes, é preciso saber qual a premissa utilizada nos estudos apresentados pela Cabesp, que argumenta déficit operacional apesar de possuir um patrimônio invejável e sólido. “Não vamos aceitar que transformem nossa Cabesp em um plano de quinta categoria”, disse.

Para Vera Marchioni, a intenção do banco em aprovar o aumento no teto da coparticipação é jogar o custo nas costas dos trabalhadores, além de desmontar a entidade baseando-se na legislação da ANS e diminuindo a qualidade do atendimento. A Cabesp sempre esteve além desta legislação, oferecendo excelência aos seus associados. “Se está falando dinheiro, quanto falta? Qual é o melhor momento para fazer esta reposição?”, provocou a dirigente, propondo outras saídas para o problema.

Confira o vídeo do encontro do dia 1º/11 em São Paulo.

O aumento da coparticipação, por exemplo, empurra muitos associados para fora da Caixa, já que o regulamento é duro com os participantes quanto ao pagamento – sendo o suposto mau uso da Cabesp por parte de alguns associados o argumento para a tomada desta atitude.

“Em vez de penalizar, existem outras soluções”, ressaltou Wagner Cabanal. É preciso estar atento à governança e não deixar que a voz dos trabalhadores seja diminuída nesse processo, além da importância de exercer o direito do voto nas eleições estatutárias da Cabesp que estão em curso. “Hoje, não temos mais acesso à diretoria da Cabesp para buscar soluções aos nossos problemas. Estamos cada vez mais longe dos próprios representantes eleitos”, completou Cabanal.

Para demonstrar a força dos banespianos e resistir a estes retrocessos, foi aprovada por unanimidade ao final do encontro uma grande campanha em defesa da Cabesp e do Banesprev com datas a serem definidas.

Com a palavra, os associados


Acácio dos Santos, diretor do Sindicato de Londrina e da Afubesp, acredita na força das entidades para superar os ataques aos direitos da Cabesp e do Banesprev

Durante as intervenções dos banespianos presentes foram feitos relatos de problemas com o atendimento Home Care, suspensão de coberturas, extratos astronômicos e desabafos sobre a união de todos em prol destas causas coletivas.

Acácio dos Santos, diretor Regional da Afubesp no Paraná e diretor do Sindicato de Londrina, participou do Encontro e defendeu que as Associações representativas dos funcionários (Afubesp, Afabesp e Abesprev)  e o movimento sindical se unam pelos interesses dos associados frente constantes investidas do banco pelo controle destas entidades.

"Sempre fui defensor da união de forças das entidades de representação dos associados, na defesa dos direitos, tanto da Cabesp, quanto do Banesprev, sobretudo depois da privatização do Banespa, que completa 17 anos no próximo dia 20/11. Nesta conjuntura de grandes mudanças, isto se torna imprescindível", avalia.

Acácio também concorda com os encaminhamentos tirados no encontro, bem como com o calendário estabelecido.

De Belo Horizonte, o associado Andrade contou sobre a dificuldade que alguns colegas têm com o convênio reciprocidade (principalmente em locais como Belém e Manaus). “Nos é ofertado pela Cabesp o mínimo, o que não é o que precisamos e merecemos”, pontuou. Na visão da Afubesp e dos candidatos apoiados pela associação e sindicatos, é inadmissível que os assistidos de outros estados tenham de sofrer com o fim de convênio de um dia para o outro.

“Estou à espera de um milagre. O que fazer para que o pessoal do Plano II, que é a maioria que não participa das eleições, participe? Tem quem não saiba onde está a cédula em casa. Vamos ter de esperar que nossa situação chegue aonde?”, desabafou Meme Monteiro.

Já a colega Cidinha Santos não esteve presente no encontro, mas fez questão de enviar seu relato. O drama com o Home Care se desenrola desde 2010, quando sua mãe – Maria dos Reis Santos – sofreu um AVC e piorou aos poucos até passar a sofrer isquemias constantes e necessidade de tratamento com fonoaudióloga. Com a perda de orientação da paciente e a dificuldade cada vez mais acentuada em tirá-la da cama, Cidinha solicitou o atendimento de uma auxiliar de enfermagem, o que foi autorizado após avaliação. “Há dois meses a fono me informou que a empresa de home care havia dito que era para dar alta a minha mãe, a pedido da Cabesp”, contou. A argumentação da Cabesp era que o tratamento havia sido o suficiente, mesmo com recomendação médica de que isso poderia causar regressão no quadro.

Na última semana, segundo a banespiana, uma funcionária do Home Care a informou de que o serviço de banho feito pela auxiliar de enfermagem terminaria em outubro. “Questionei a Cabesp por telefone e enviei e-mail à Ouvidoria. Me responderam que o atendimento domiciliar era uma liberalidade da Cabesp e poderia ser cancelado a qualquer momento”, disse. Ao momento da entrevista, Maria estava sendo medicada no hospital por conta de uma piora e aguardava alta. Segundo Cidinha, a remoção solicitada só veio seis horas após a beneficiária ter sido liberada.

Indicamos que para aqueles associados que estejam passando por dificuldades com a Cabesp que entrem em contato com a Diretoria, registrando por escrito exigindo seus direitos. Por fim informamos que a Afubesp e Sindicatos estarão sempre à disposição para auxiliar aqueles que precisarem, seja para obter informações ou em última instância, nas vias judiciais.

Fonte: Afubesp

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