CORONAVÍRUS

Comando Nacional cobra da Fenaban que bancários só atendam serviços essenciais

Comando Nacional cobra da Fenaban que bancários só atendam serviços essenciais
segunda-feira, 23/03/2020

O Comando Nacional dos Bancários se reuniu, por videoconferência, nesta segunda-feira (23/03), com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) para discutir o funcionamento do trabalho nos estabelecimentos bancários e as medidas a serem tomadas para resguardar a saúde da categoria, dos clientes e usuários dos bancos, em decorrência da pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19).

No início da reunião, o Comando fez um balanço da semana, expôs os riscos da pandemia e colocou as reivindicações da categoria.

A Fenaban informou que cerca de 200 mil bancários e bancárias já estão em home office e caminha para aumentar.

Uma das principais reivindicações da categoria foi para que os bancos mantenham apenas as atividades consideradas essenciais pelo Decreto 10.282/2020, que, no setor financeiro, são: “compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras” e o atendimento casos de extrema necessidade, à exemplo do idoso que não tem como usar outro meio e o serviço do qual dependa à sobrevivência do cidadão, sejam realizados somente mediante agendamento prévio para preservar os clientes bem como os trabalhadores

“Apenas o contingenciamento não está sendo suficiente. Mesmo assim, ele não está sendo adotado por todos os bancos e os que adotam não o fazem da mesma forma. Semana passada houve um grande movimento nas agências. Acaba que as pessoas não sabem o que devem fazer. Vão aos bancos sem que, neste momento, seja necessário”, observou a presidenta da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Isso as expõe ao risco e também expõe os bancários e bancárias, além de dificultar o atendimento de quem realmente precisa de atendimento presencial”, completou a presidenta da Contraf-CUT, ao ressaltar que é fundamental padronizar as medidas para que a população não fique perdida e os bancários não cobrem ação dos sindicatos para que determinado banco tome uma medida mais favorável que está sendo realizada por outro.” A saúde é a principal prioridade nesse momento”, completou.

O movimento sindical também reivindicou o fechamento das agências e demais unidades bancárias para se realizar apenas o atendimento presencial dos casos de extrema necessidade e com agendamento; redução da jornada para os que tiverem que ir ao local de trabalho; garantia de deslocamento seguro para os que tiverem que fazer o atendimento não presencial, a manutenção e o abastecimento dos caixas de autoatendimento; home office para todos os bancários e bancárias, com exceção de quem terá que ir às agências para dar suporte ao funcionamento dos caixas eletrônicos.

Para os que tiverem que comparecer para manter os serviços essenciais, deve haver revezamento. Funcionários que façam parte dos grupos de risco, grávidas e aqueles que não tenham com quem deixar filhos menores, ou que residem com pessoas que fazem parte do grupo de risco não devem entrar no revezamento.

Os bancos alegam que precisam manter as agências em funcionamento para atender, principalmente, os idosos e outras pessoas que não tenham condições de se auto atender, mas vão analisar as reivindicações da categoria e responder o quanto antes.

Agências lotadas

“É bom ver que a Fenaban está preocupada com as pessoas que se deslocam por longas distâncias para conseguir o atendimento bancário. Se as pessoas precisam se deslocar por longas distâncias é porque não existem agências em todas as cidades, em todas as localidades. Os bancos estão fechando agências e isso faz com que as pessoas precisem se deslocar para buscar o atendimento”, afirmou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, que coordena o Comando dos Bancários juntamente com Juvandia.

Ivone ressaltou ainda que o problema de superlotação e a falta de agências já existia. “Agora o problema ficou evidente por causa da pandemia. Mas, os bancários sempre estiveram sobrecarregados, as agências sempre estiveram lotadas, com aglomeração, as pessoas sempre tiveram que enfrentar longas filas para serem atendidas”, disse. Ela ressaltou que espera que essa preocupação perdure depois passar a pandemia.

Manutenção dos direitos

Entre as reivindicações do movimento que serão analisadas pelos bancos está a ultratividade dos Acordos e Convenções Coletivas até 31/01/2021. Caso seja aceita, os direitos da categoria, previstos na CCT e nos acordos específicos por bancos, serão mantidos até esta data, ou até que haja a assinatura de uma nova CCT, caso ela se efetue antes de 31 de janeiro de 2021.

O Comando também pediu que sejam suspensos os descomissionamentos, a cobrança de metas e as demissões durante a vigência do estado de calamidade, ou até que perdure a pandemia.

Outra reivindicação da representação sindical dos bancários foi para que seja antecipado o Vale-alimentação da categoria.

O Comando destacou ainda a importância do respeito à CCT e à negociação coletiva e, por isso, que não sejam adotadas as medidas previstas na Medida Provisória 927/2020, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União do domingo (22) e que permite corte de salários e direitos e exclui os Sindicatos da negociação. “Não vamos aceitar nenhuma alteração no contrato de trabalho que prejudique a categoria”, frisou Juvandia, referindo-se a MP.

Fonte: Contraf-CUT

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