Geral

Fenaban só apresenta NÃOS nos debates sobre saúde e segurança

Capa da Notícia

03 de setembro 2015

Calendário de negociações
 Fenaban
 9/9 - Igualdade de Oportunidades
 16/9 - Remuneração
 Caixa
 4/9 - Saúde, Funcef e aposentados
 11/9 - Carreira, isonomia e organização do movimento
 18/9 - Contratação, condição das agências e jornada
 Banco do Brasil
 11/9 - Cláusulas sociais e previdência complementar
 18/9 - Remuneração e plano de carreira 

Na continuação hoje (3/09), em São Paulo, dos debates sobre reivindicações da categoria na Campanha Nacional Unificada 2015 sobre saúde e segurança, representantes da Fenaban mostraram falta de empenho acerca destes temas de suma importância para a categoria.

O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, apresentou vários dados e situações enfrentadas pelos bancários e bancárias que comprovam a necessidade de melhorias nas condições de trabalho, mais segurança e respeito à saúde dos trabalhadores.

Saúde

O Comando Nacional mostrou pesquisas do Dieese, com base nos dados do INSS, as quais evidenciam a relação da rotina estressante de trabalho com os adoecimentos. Os casos de transtornos mentais e comportamentais estão crescendo muito mais rapidamente na categoria bancária e já superam os adoecimentos relativos a LER/Dort. Entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.

O INSS ainda não divulgou os dados do ano todo de 2014 sobre o setor, mas em 2009, foram 2957 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Já em 2013, os números saltaram para 5042. Um crescimento de 70,5%. No mesmo período, nas outras categorias, o aumento foi de 19,4%.

Diante desse cenário, os integrantes do Comando ressaltaram que a saúde do trabalhador bancário não pode ser negociada como um mero elemento da produção e o adoecimento seja apenas uma mera consequência desse problema processo. Para os sindicalistas, saúde é um direito fundamental e os bancos precisam assegurar este direito em todos os locais de trabalho.

Metas abusivas e assédio moral

Na discussão a respeito do fim das metas abusivas e combate ao assédio moral, questões que estão entre as principais reivindicações da categoria, os bancos reconheceram que pode haver excessos no modo de cobrança por parte de alguns gestores, mas não concordaram com a reivindicação do Comando para que as metas sejam estabelecidas com a participação dos trabalhadores.

A categoria defende que as metas sejam definidas com critérios que levam em conta o porte da unidade, a região de localização, número de empregados e carteira de clientes. Já os bancos, alegam que as metas são expectativas de resultados e fazem parte da gestão, sem se preocupar com o desgaste causados aos bancários para atingi-las ou até mesmo o número crescentes de adoecimentos resultantes dessa política empresarial.

Pressionada, a Fenaban resolveu atender algumas das reivindicações de combate ao assédio moral. Assumiu o compromisso de avaliar a possibilidade do empregado pedir transferência para outra unidade, quando for comprovadamente assediado. Assim como informar as soluções dadas aos casos de assédio moral apurados também pelos canais internos dos bancos. O Comando também cobrou mais rapidez no retorno das denúncias encaminhadas pelos Sindicatos, que atualmente é de 45 dias. A Fenaban não aceitou reduzir esse prazo.

Outro não dos bancos foi quando à reivindicação de que os bancos garantam aos empregados a participação nos exames e procedimentos previstos no PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), cumprindo na integralidade as disposições da convenção 161 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que assegura a participação dos trabalhadores nas questões que tratam da saúde laboral.

Isonomia de direitos e reabilitação

A manutenção de direitos para os bancários afastados por acidente de trabalho e para tratamento de saúde também esteve em pauta na rodada desta quinta-feira com os bancos. A reivindicação é que diferença entre benefício recebido do INSS e o salário seja paga pelos bancos.

Os banqueiros responderam que já várias cláusulas na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) tratam de ressarcimento de diferenças e que não querem nada de novo relativo ao tema. 

O Comando Nacional também fez duras críticas aos Programas de Reabilitação Profissional desenvolvidos pelos bancos, cuja elaboração também não conta com a participação dos trabalhadores. São constantes as reclamações recebidas pelos Sindicatos revelando que os funcionários são mal atendidos pelo gestor, ou mesmo pelo banco, no retorno ao trabalho.

Nesta questão, a categoria defende que os Programas de Reabilitação seja uma atribuição do Estado e não das empresas, para que sejam respeitados os limites do trabalhador adoecido e a forma com este retornará às suas atividades. Mais um agravante para o movimento sindical é a revalidação que os bancos estão fazendo dos atestados médicos dos trabalhadores. Colocando em xeque a idoneidade do bancário.

Diante dos problemas, a Fenaban concordou em marcar novas reuniões com os dirigentes sindicais para debater o tema de saúde, antes do encerramento da Campanha Nacional 2015.

Segurança

Além da pressão por resultados, metas abusivas e assédio moral, os bancários também convivem com a insegurança nos locais de trabalho. Levantamento realizado pela Contraf-CUT e pela CNTV (Confederação Nacional dos Vigilantes), com apoio técnico do Dieese, aponta que 66 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2014, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês.

Os ataques a agências e caixas eletrônicos também viraram manchetes diárias nos jornais pelo País. Foram 3.150 ocorrências no ano passado, com uma média assustadora de 8,63 por dia.

O Comando Nacional cobra melhores condições de segurança para bancários, clientes e assistência às vítimas de assaltos, sequestros e extorsão, com atendimento médico e psicológico não só ao empregado, mas também à família do funcionário.

Nesta Campanha, a categoria quer que os bancos sejam obrigados a emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) sobre todos os casos de tentativa ou de assalto consumado, assim como o BO (Boletim de Ocorrência).

Como medida de prevenção aos assaltos, o Comando Nacional quer o fim da guarda das chaves por funcionários e que empresas de segurança privada sejam contratadas para o trabalho. A Fenaban também não aceitou, alegando que qualquer pessoa pode ser vítima da violência. 

Os integrantes do Comando Nacional contestaram esse argumento, lembrando que os bancários são escolhidos a dedo pelo crime organizado, em especial os que ficam responsáveis pela guarda das chaves das agências e das senhas dos cofres. 

Projeto-piloto

Para reduzir a violência, a categoria também defende a implantação em todo o País dos equipamentos e medidas que fizeram do projeto-piloto de segurança. O projeto é uma conquista da Campanha 2012. Foi implantado durante um ano, entre agosto de 2013 e agosto de 2014, em Recife, Olinda e Jaboatão de Guararapes e testou a eficácia de itens que o movimento sindical julga serem necessários para garantir segurança. 

Houve a instalação, nas agências, de porta giratória com detector de metais câmeras internas e externas, biombos em frente aos caixas, guarda-volumes e vigilantes armados e com coletes balísticos, além de cofre com dispositivo de retardo. 

Segundo dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, o número de roubo a bancos caiu pela metade (de 16 para 8) nas cidades do projeto entre janeiro e junho de 2014, em comparação com o mesmo período de 2013. O número de arrombamentos teve uma queda de 41,8%, caindo de 110 em 2013 para 64 em 2013. Em relação à "saidinha de banco", o número de registros em Olinda caiu 46,4%. 

Mas os bancos, recusaram, novamente a replicar estes equipamentos para todo Brasil, preferindo continuar com os projetos-pilotos. Concordaram, apenas, em testar as medidas em outras duas regiões. 

Fonte: Contraf-CUT