Jornada de trabalho

Trabalhadores vão às ruas no dia 10 de agosto pelo fim da escala 6x1

Trabalhadores vão às ruas no dia 10 de agosto pelo fim da escala 6x1

07 de agosto de 2026

A Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) reforça a chamada da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e demais Centrais Sindicais para que trabalhadores e trabalhadoras realizem, na próxima segunda-feira (10/08), manifestações em todo o país pelo fim da escala 6x1.

O Congresso Nacional retomará no mesmo dia suas atividades, após o período de recesso. Assim, o objetivo dos movimentos sociais com as manifestações é reforçar a pressão para que o Senado vote a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº 221/19, já aprovada na Câmara dos Deputados, e que determina a redução da jornada de 44h para 40h semanais e a garantia de dois dias semanais de descanso remunerados sem redução salarial.

A pauta ganha urgência diante da articulação de cerca de 40 senadores que tentam derrubar a PEC 221 a partir de uma proposta alternativa (PEC nº 12/2026) e que ganhou dos movimentos sociais os apelidos de "PEC das Horas Trabalhadas" ou "PEC da Escravidão" porque, além de não garantir o descanso semanal, cria o regime de pagamento por horas trabalhadas e diminui verbas rescisórias como férias, 13º salário e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

Bem-estar da população no centro do debate sobre o trabalho

Os dirigentes da Contraf-CUT defendem que a mudança da escala é, antes de tudo, questão de saúde pública, diante de pesquisas que mostram que a escala 6x1 é exaustiva e adoece a Classe Trabalhadora. Logo, o estabelecimento de uma escala com período maior de descanso é fundamental para garantir a saúde física e mental, além de fortalecer laços sociais e de convivência com familiares e de promover melhorias do status social, por permitir que o trabalhador tenha mais tempo livre para os estudos.

Todos ganham com essa mudança

O movimento sindical também desconstrói o argumento de que a redução de horas traria prejuízos à economia indicando que experiências internacionais e em empresas brasileiras mostram que a redução da escala 6x1 melhora a produtividade, porque trabalhadores menos sobrecarregados e com melhor qualidade de vida produzem com mais eficiência, inovação e com muito menos índices de absenteísmo e adoecimento ocupacional. 

Pressão total sobre o Senado e dados do mercado

A proposta original conta com o respaldo de mais de 70% da população em pesquisas de opinião e ganha o reforço das ferramentas de mobilização digital. A CUT e a Contraf-CUT incentivam o uso da plataforma Na Pressão (napressao.org.br), onde é possível verificar o posicionamento de cada senador (a favor, contra ou indeciso) e enviar mensagens diretamente aos gabinetes.

Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) reforçam a necessidade da mudança no Brasil:

• Jornadas extensas: 64% dos trabalhadores formais e 75% dos contratados via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) cumprem mais de 40 horas semanais. Cerca de 20 milhões de pessoas trabalham entre 45 e 48 horas (ou mais) por semana.

• Deslocamento: além da jornada formal, 8,7 milhões de trabalhadores gastam mais de uma hora diária no transporte para ir e voltar do trabalho, sendo que 1,3 milhão leva mais de duas horas no trajeto.

• Média nacional: a média de horas trabalhadas no país é de 39,1 horas semanais. Setores mais eficientes e tecnológicos já operam com jornadas entre 33 e 40 horas sem perda de rendimento.

Leia também:
-
Fim do recesso parlamentar exige mobilização em defesa dos direitos dos trabalhadores

Fonte: Contraf-CUT, com informações da CUT Brasil