Saúde mental

Metas abusivas e vigilância digital adoecem: palestra na Unopar alerta para a urgência da NR-1 no setor bancário

Metas abusivas e vigilância digital adoecem: palestra na Unopar alerta para a urgência da NR-1 no setor bancário

14 de setembro de 2026

Estudo apresentado durante a Semana da Psicologia da Unopar Catuaí, em Londrina, analisa a epidemia de Burnout e Transtornos Ocupacionais enfrentados pela categoria bancária e reforça a obrigação legal dos bancos no cumprimento das diretrizes de saúde mental e segurança do trabalho.

A pressão desmedida por resultados, a cobrança ostensiva por metas inalcançáveis e o monitoramento algorítmico contínuo deixaram de ser apenas um dilema individual dos trabalhadores para se tornarem um grave problema de saúde pública e de segurança do trabalho. O alerta marcou a palestra "Burnout no setor Bancário: uma leitura cognitivo-comportamental sob a égide da NR-1", ministrada pela secretária de Saúde do Sindicato de Londrina, Eunice Miyamoto, durante a Semana da Psicologia da Unopar, sob orientação do professor Rafael Pedro Rodrigues e acompanhamento da coordenadora Flora Sanches Rocha.

Para a instituição, o evento cumpriu papel estratégico na formação profissional e social. “Promover debates sobre temas tão urgentes durante a Semana da Psicologia reforça nosso compromisso em formar profissionais conscientes dos desafios contemporâneos. Discutir o impacto da organização do trabalho na saúde mental é fundamental para preparar nossos estudantes e alertar a sociedade sobre a prevenção de riscos psicossociais”, pontua a coordenadora do curso, Flora Sanches Rocha.


Eunice com o professor Rafael Pedro Rodrigues, a coordenadora do curso, Flora Sanches Rocha, e participantes do evento


O estudo trouxe dados alarmantes do Ministério da Previdência Social: os afastamentos por Síndrome de Burnout (reconhecida pela OMS como fenômeno estritamente ocupacional — CID-11 / QD85) registraram um salto superior a 800% no Brasil nos últimos anos, com forte impacto no setor financeiro.

Para fundamentar a análise e buscar soluções práticas, a pesquisa uniu a ciência clínica às normas trabalhistas. “O estudo alia a fundamentação da Terapia Cognitivo-Comportamental à realidade enfrentada no dia a dia das agências. Analisar o Burnout sob a ótica da NR-1 reforça o papel da universidade em produzir conhecimento aplicado, gerando dados concretos capazes de diagnosticar e transformar as condições de trabalho”, destaca o professor e orientador da pesquisa, Rafael Pedro Rodrigues.

Se durante anos o sofrimento psíquico foi invisibilizado pelas instituições financeiras, as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabeleceram um divisor de águas no país. A legislação exige que os bancos mapeiem, identifiquem e inventariem formalmente os riscos psicossociais — como assédio moral, metas abusivas e vigilância punitiva — no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

A palestra ressaltou que a adequação à NR-1 é uma obrigação legal inegociável. A identificação do nexo causal entre a organização do trabalho e o adoecimento do bancário garante a responsabilização jurídica das instituições, resultando em reparações na Justiça do Trabalho, emissão de CAT e indenizações por danos morais e materiais.

A mensagem final do encontro destacou que estratégias individuais de "resiliência" são insuficientes diante de um problema estrutural: a transformação precisa ocorrer na própria organização do trabalho e deixar de ser um mero documento na gaveta. Os bancários devem permanecer atentos aos primeiros sinais de esgotamento, impondo limites saudáveis e buscando apoio imediato.

Para Eunice, o alerta deve ser levado a sério pelas instituições. “O Burnout não é falta de resiliência do bancário, mas consequência direta de metas abusivas e vigilância constante. A NR-1 não é opcional, é uma obrigação legal dos bancos para mapear e eliminar os riscos à saúde mental”, ressalta a dirigente do Sindicato de Londrina, acrescentando que “o Sindicato não aceitará que o lucro custe a saúde da nossa categoria e vai fiscalizar rigorosamente cada local de trabalho”, destaca.

O Sindicato de Londrina atua na linha de frente para fiscalizar o cumprimento rigoroso da NR-1 em todas as agências e bancos da base territorial. Exigir um ambiente de trabalho seguro, humanizado e livre de abusos é um dever legal das instituições e um direito inalienável de toda a categoria.

Está sofrendo pressão abusiva ou apresentando sintomas de esgotamento?

Não se isole. Procure atendimento médico e entre em contato com a Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região. Sua saúde mental é prioridade indiscutível!