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Não votou no primeiro turno? Veja por que o seu voto é decisivo para defender a democracia

Não votou no primeiro turno? Veja por que o seu voto é decisivo para defender a democracia

15 de outubro de 2026

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Mais de 30 milhões de brasileiros e brasileiras deixaram de votar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Ao todo, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, enquanto outros 5,9 milhões votaram em branco ou nulo. Somados, esses números chegam a 39,4 milhões de pessoas que não escolheram um candidato à Presidência da República, segundo dados da apuração divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Artistas, cantores e personalidades de todo o país convocam a população a participar do segundo turno das eleições, marcado para o dia 25 de outubro, e reforçam a importância do voto para decidir os rumos do Brasil.

Quando uma pessoa deixa de votar, abre mão de participar diretamente da escolha de quem vai governar o país pelos próximos quatro anos. Na prática, permite que outras pessoas decidam por elas.

Por isso, quem não votou no primeiro turno ainda tem a oportunidade de participar da decisão no segundo. O voto é um instrumento fundamental da democracia e uma forma de defender direitos, conquistas sociais e as instituições que garantem a liberdade e a participação política da população.

A escolha de quem ocupará a Presidência da República não afeta apenas a economia ou a administração pública. Ela também tem consequências diretas para a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, das pessoas com deficiência, da população LGBT, das mulheres, da população negra e de outros grupos que dependem de políticas públicas para garantir seus direitos.

O resultado das urnas também influencia a proteção do meio ambiente, os serviços públicos e o respeito às instituições democráticas.

Votar é uma maneira de defender o direito de organização dos trabalhadores, a liberdade sindical, os direitos sociais, o respeito à diversidade, preservar a democracia e impedir o avanço do autoritarismo.

Direitos ameaçados 

O resultado das urnas também pode definir a continuidade de programas sociais e de políticas públicas que fazem diferença na vida de milhões de brasileiros e brasileiras. Mudanças no orçamento e nas prioridades do governo podem ameaçar investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação, moradia e proteção social.

Programas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o Farmácia Popular, o ProUni e o Fies são fundamentais para garantir renda, acesso a medicamentos, moradia e oportunidades de estudar. Por isso, é importante avaliar quais são as propostas dos candidatos para essas políticas e como pretendem financiá-las.

Cortes no orçamento público também podem comprometer o funcionamento de hospitais e escolas, dificultar a abertura de leitos e vagas, reduzir investimentos e prejudicar o atendimento à população. A redução de concursos públicos pode limitar a reposição de profissionais e sobrecarregar serviços que já enfrentam dificuldades. Da mesma forma, mudanças nas regras fiscais e previdenciárias podem afetar aposentadorias, benefícios e a capacidade do Estado de ampliar a proteção social.

Os direitos trabalhistas também estão em jogo. Mudanças na legislação podem fragilizar garantias conquistadas ao longo de décadas de luta, como férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal, limites de jornada e proteção contra demissões arbitrárias.

Argentina é um alerta para  Brasil

A experiência da Argentina, sob o governo de Javier Milei, aliado político de Flávio Bolsonaro (PL), também entrou no debate eleitoral. A campanha de Flávio já apontou o modelo argentino como referência para seu plano de governo. Desde que assumiu a Presidência, Milei implementou medidas de ajuste fiscal, redução de gastos públicos e mudanças nas relações de trabalho, provocando fortes disputas políticas e sociais no país.

A experiência argentina serve de alerta sobre os possíveis efeitos de políticas de austeridade sobre os serviços públicos, os direitos sociais e as condições de vida da população. A situação precisa ser observada com base em indicadores concretos, como inflação, salários, emprego, pobreza e acesso a serviços públicos, sem ignorar os custos sociais das medidas adotadas.

Abstenção cresce nas eleições 

A abstenção no primeiro turno de 2026 chegou a 21,08% do eleitorado, o equivalente a 33.469.244 pessoas que não compareceram às urnas. É a maior taxa registrada em um primeiro turno de eleição presidencial desde 1998, quando o índice foi de 21,49%.

O percentual vem crescendo nas últimas disputas presidenciais. Em 2006, a abstenção foi de 16,75%; em 2010, de 18,12%; em 2014, de 19,39%; em 2018, de 20,33%; e, em 2022, de 20,95%.

Os números mostram o desafio de ampliar a participação da população nas decisões políticas do país. Embora existam diferentes motivos para não comparecer às urnas, como problemas de saúde, dificuldades de deslocamento e outras situações, a participação eleitoral continua sendo uma das principais formas de a população influenciar os rumos do Brasil.

Voto branco e nulo não anulam a eleição

É importante diferenciar a abstenção dos votos brancos e nulos. A abstenção ocorre quando a pessoa apta a votar não comparece à seção eleitoral. Já o voto branco ou nulo é registrado quando o eleitor vai à urna, mas não escolhe nenhum dos candidatos àquele cargo.

No primeiro turno, foram registrados 2.300.798 votos em branco e 3.674.249 votos nulos para presidente. Juntos, eles representaram quase 6 milhões de votos que não entraram no cálculo dos votos válidos.

Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, votos brancos e nulos não são transferidos para o candidato que está na frente e não provocam o cancelamento da eleição, mesmo que ultrapassem metade dos votos registrados. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos, excluídos os brancos e nulos.

Segundo turno define os rumos do país

Diante desse cenário, a participação de quem não votou no primeiro turno pode ser decisiva. Comparecer às urnas é mais do que cumprir uma obrigação eleitoral: é exercer um direito conquistado com a luta pela democracia e participar da escolha dos caminhos que o país seguirá.

Defender o voto é defender a possibilidade de escolher, cobrar e mudar. É também reconhecer que as decisões políticas afetam o cotidiano de toda a população, do emprego ao acesso à saúde e à educação, da proteção ambiental à garantia de direitos.

No segundo turno, cada eleitor tem a oportunidade de fazer sua escolha. Deixar de votar significa abrir mão dessa decisão e permitir que outros definam o resultado.

Em uma democracia, participar é essencial para que a vontade popular tenha força e para que o futuro do Brasil seja decidido nas urnas.

Por Redação CUT Brasil|, com edição de Walber Pinto