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TST reconhece legitimidade da greve dos Correios, mas decisão traz perdas para trabalhadores

TST reconhece legitimidade da greve dos Correios, mas decisão traz perdas para trabalhadores

25 de setembro de 2026

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu, na quinta-feira (24/09), que a greve nacional dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios não foi abusiva. A SDC (Seção Especializada em Dissídios Coletivos) manteve a data-base em 1º de agosto, determinou reajuste de 4,09% nos salários e benefícios e autorizou a compensação dos dias parados. O retorno ao trabalho foi determinado para esta sexta-feira (25).

Além desses pontos, a sentença ficou distante das reivindicações da categoria e traz perdas importantes, principalmente no plano de saúde, um dos principais motivos da paralisação.

Plano de saúde é principal perda

Pela decisão, os Correios deixam de ser mantenedores do plano de saúde e passam a oferecer um subsídio empresarial para um Benefício de Assistência à Saúde, de adesão facultativa e sujeito a regulamento próprio. Até a implantação do novo modelo, permanece o Correios Saúde II.

A mudança contraria a reivindicação da FINDECT e FENTECT que defendiam a manutenção da empresa como mantenedora e a redução dos custos suportados pelos trabalhadores.

Para empregados, aposentados e dependentes, o novo modelo aumenta a insegurança sobre custeio, cobertura, rede de atendimento e condições futuras de acesso à assistência médica.

Sem aumento real

O TST determinou reajuste de 4,09%, correspondente à reposição da inflação, com efeitos retroativos a agosto. O índice também alcança o vale-refeição/alimentação, vale-transporte e reembolsos previstos na decisão.

A categoria, porém, reivindicava reposição integral da inflação com aumento real. A sentença garante apenas a recomposição das perdas inflacionárias, sem ganho adicional no poder de compra.

Também não foi atendida a reivindicação de reajuste das funções.

Direitos não foram recuperados

A decisão também não recupera direitos que integravam a proteção coletiva da categoria e já estavam suspensos por decisão anterior do STF (Supremo Tribunal Federal), entre eles a gratificação de férias de 70% e condições mais vantajosas de remuneração pelo trabalho em dias de repouso.

No caso da assistência à saúde, em vez de restaurar as condições anteriores, o julgamento consolida uma mudança estrutural no modelo de responsabilidade dos Correios.

Outras reivindicações ficaram de fora

A pauta dos trabalhadores para a Campanha Salarial 2026/2027 também previa valorização dos benefícios, redução do custeio da assistência médica, realização de concurso público, combate às terceirizações, melhorias nas condições de trabalho, valorização profissional e fortalecimento dos Correios como empresa pública.

Essas reivindicações não foram contempladas de forma ampla pela sentença.

Greve foi considerada legítima

Um dos principais resultados favoráveis foi o reconhecimento de que a paralisação não foi abusiva.

Os Correios alegavam que a greve começou com as negociações ainda em andamento e apontavam descumprimento das regras mínimas de funcionamento dos serviços.

A maioria do TST, porém, entendeu que houve negociação suficiente entre as partes, com diversas rodadas, propostas, contrapropostas e tentativa de mediação conduzida pelo próprio Tribunal.

Dias parados serão compensados

O TST também afastou o desconto dos dias de greve e autorizou sua compensação por meio de mutirões, inclusive em finais de semana, para reduzir o volume de entregas acumuladas.

A medida evita impacto imediato nos salários, mas exige acompanhamento das entidades sindicais para que a compensação não resulte em sobrecarga, jornadas excessivas ou piora das condições de trabalho.

Perdas permanecem

A decisão encerra o dissídio, mas não elimina os problemas que levaram a categoria à greve.

Os trabalhadores conseguiram preservar a data-base, assegurar a reposição da inflação, afastar a abusividade da paralisação e evitar o desconto direto dos dias parados.

Por outro lado, ficaram sem aumento real, sem reajuste das funções, sem a recuperação de direitos importantes e, sobretudo, diante de uma mudança profunda no plano de saúde, que transfere maior insegurança para trabalhadores, aposentados e dependentes.

O resultado, portanto, encerra juridicamente o conflito, mas mantém perdas e desafios que continuarão no centro da luta da categoria.

Fonte: Contraf-CUT